Espiral do Silêncio - 1

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Em complemento à teoria do Agenda Setting, surge o que chamamos de Espiral do Silêncio.

Funciona mais ou menos assim. A hipótese, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann, afirma que os indivíduos que possuem opiniões diferentes da maioria tendem a se manter calados, com receio de represálias vindas da maioria da população.

É grande o medo de contrariar a opinião pública que, como dissemos, baseia-se em muito do que a mídia publica.

Bom, nem precisamos dizer o quanto isso é ruim. Primeiramente porque NINGUÉM DETÉM A VERDADE ABSOLUTA SOBRE NADA, ou seja, devemos nos sentir livres para expor nossas opiniões sem medo de represálias.

Além disso, a diversidade é um ótimo instrumento para a democracia. Imagine só, por exemplo no caso da Escola Base, onde inocentes foram acusados. A mídia estava certa?

Agenda Setting - 1

Você já reparou como determinados assuntos estampam os jornais por dias seguidos? Qual a última notícia da qual você se lembra? Como é feita a definição das pautas a serem trabalhadas em um determinado veículo?

Tudo isso é explicado pela teoria do Agenda Setting, desenvolvida por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 70. O pensamento diz que a mídia determina a pauta para a opinião pública destacar alguns temas e preterir outros. Vamos analisar a página do jornal de hoje.

Manchetes, notícias em destaque, chamadas menores. As pautas são pensadas e, quando repetidas, tornam-se foco de discussão. Tudo isso é causado pela Agenda Setting.

Grande exemplo recente: você já ouviu falar do caso Isabella? Já? Quantas vezes? Todos os dias nos últimos tempos! Pois é, eu também. E aí eu chego em uma roda de conversa com meus amigos e discuto quem matou Isabella. Pronto! Virou destaque na opinião pública.

Mas, quem matou a menina? Eu acho que foi o pai. Há quem creia que foi a madastra. Já ouvi dizerem até mesmo que foi a mãe. Pois é, se a mídia consegue muitas vezes dizer o que devemos pensar, nem sempre ela consegue ser “bem sucedida ao indicar às pessoas como pensar” (McCombs e Shaw, 1972 In: Traquina, 2000, p. 49).


Marcas e Corporações - 1

Uma notícia muito bacana mostra o poder das marcas no mundo: a Best Global Brands. No último ano, foram eleitas a cem marcas mais valiosas. A pesquisa foi feita pela consultoria de marcas Interbrand em parceria com a revista americana "Business Week".

Segue o top 10:





No pódium, Coca-Cola em primeiro, seguida pela gigante da informática, a Microsoft, em segundo, e a IBM em terceiro.

4. General Electric
5. Nokia
6. Toyota
7. Intel
8. McDonald's
9. Disney
10. Mercedes

Quer conhecer os outros 90? Acesse a matéria na Folha online

Cultura McWorld - 1

Cultura Mc World. Qual a primeira coisa que você pensou ao ler isso?

Esse termo foi criado por Raymond Barber, ensaísta norte-americano, com o objetivo de definir a expansão em escala global de produtos que têm por objetivo conquistar o mundo e monopolizar mercados. Para ele, há dois grupos que não se encaixam nesse perfil, os chamados indesejáveis: Os que são contra porque são atrasados e os que são contra porque tem uma proposta diferente.

É possível fazer uma ligação entre Cultura McWorld e marcas e corporações. Vamos partir de uma análise da imagem acima. O que você vê? Eu vejo Playboy, McDonald's, Nike, IBM, Adidas, Coca Cola e muitas outras. São marcas. E o que são marcas?

MARCA, segundo a definição da American Marketing Association(AMA) é “um nome, termo, sinal, símbolo ou desenho, ou uma combinação deles, com o objetivo de identificar bens ou serviços de um vendedor ou grupo e diferenciá-los da concorrência”. Hum, interessante. CONCORRÊNCIA. Quer dizer então que a concorrência estimula a instituição de marcas.

Mas é claro. O consumidor precisa acreditar que está comprando algo diferenciado, de valor, de MARCA. E onde a Cultura McWorld entra nisso?

Ela trouxe algumas idéias, como a que fora do mercado não há salvação. Ou seja, ela estimula a compra.

“...pretensão delirante de que um mercado, livre de qualquer regulamentação, seria o único meio capaz de produzir e distribuir tudo aquilo que nos importa (...)"

Comprar passa a ser uma necessidade, e o resto não nos importa mais. Lembrou-me o começo desta avaliação: somos consumidores ou somos consumidos?

O princípe eletrônico - 3


A charge mostra, de forma cômica, como a mídia tem o poder de criar um fato, uma celebridade, em cima de algo que tenha acontecido. Fez-me lembrar de Mônica Veloso, que posou nua após se envolver em escândalos políticos.

Como é grande o poder de se julgar e selecionar os fatos. Estava lendo um texto (ver texto) aliás sobre isso, em como a mídia - o príncipe eletrônico - santifique ou crucifique um fato, criando mocinhas, vilões e heróis. Foi assim com o Caso Isabella Nardoni, ou muito antes, com a Escola Base. A mídia é poderosa, mas nem sempre é dona da razão.

O príncipe eletrônico - 2

Será? Veja!














Na sequência, capas da revista Veja de 5 de outubro de 2005, 27 de fevereiro de 2008 e 23 de abril de 2008.

Alguns exemplos de capas tendenciosas, subjetivas e opinativas. E o pior é que ainda tem gente que lê e toma como verdade absoluta....

(Obs. O objetivo aqui não é crucificar a revista Veja, mas apenas mostrar um exemplo de veículo de grande circulação que, de vez em quando, é tendencioso. Só de vez em quando!)

O príncipe eletrônico - 1

Em O Príncipe, obra escrita por Maquiavel em 1513, um dos principais pontos defendidos é que "os fins justificam os meios", ou seja, um governante pode fazer o que bem entender em seus domínios, desde que seja para se manter no poder.

Lendo uma síntese disponível na web sobre a obra, apesar de já tê-la lido há muito tempo, destaquei alguns pontos que considero essenciais para que entremos na questão principal deste post: o poder da mídia. Vamos lá:

  • Maquiavel defende que e é melhor um príncipe ser temido do que amado
  • Ele também afirma que o governante deve ser dissimulado quando é necessário, porém nunca deixando transparecer sua dissimulação
  • Outro ponto importante: ele explica como o líder deve controlar e o que deve fazer para manter seu povo feliz

Bom, a partir disso, partimos para a obra de fato em questão: O Príncipe Eletrônico, de Octávio Ianni.

A obra não traz a figura do líder político, na acepção clássica a partir de Maquiavel. Para ele, o príncipe do século XXI é a mídia, que controla, registra e enfatiza o que quiser. Bom, isso é fato dado que realmente de objetiva, a mídia não tem nada.


"O príncipe eletrônico é a face globalizada
da indústria cultural, é a onipresença da
mídia que regula e desregula, instaura e tira,
manda e desmanda – num mundo onde a
informação não corre solta nem
totalmente livre, porque corre desigual"
Octávio Ianni.


Mas, será que a mídia manipula? Será que ela é tendenciosa? Será que ela expressa a sua opinião?

Vejamos alguns exemplos, no próximo post.

(Para quem quiser saber mais sobre Maquiavel e sua obra, clique aqui!!)